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| Quadro feito pelo meu pai Sidinei Franco |
Naquela cidadezinha distante, existe
alguém que não me espera mas que não me canso de esperar.
Meus olhos
até poderiam se perder no horizonte, mas eu me perderia nele. Seu caminhar forte
e sincero combinam com o verde da paisagem.
Aprecio de
longe sua humildade e as luzes do seu aposento simples, que iluminam ainda mais aqueles seus olhos bondosos.
A coragem
que habita em seu coração entra em delicada desarmonia com os calos em suas
mãos grandes. O suor que escorre de sua testa enquanto trabalha cantarolando
uma melodia qualquer, me mostra sempre o quanto a vida vale a pena.
Suas
maneiras de olhar para o céu e seu cuidado tão íntimo com a terra e a grama me
tomam pela vontade de tornar-se semente, só para chamar sua atenção.
Sinceramente,
adoro a forma de como ele cuida dos animais com carinho e respeito sem fazer
distinção. Adoro quando ele pronuncia desajeitadamente suas palavras erradas, sem preocupação alguma de
me surpreender com sua inteligência. Adoro quando agradece a Deus por mais um
dia de trabalho e embora cansado me permite que veja seu sorriso inocente ao
final de cada oração.
Eu poderia
ficar o tempo todo descrevendo nossas diferenças. Diferenças que tanto adoro e
me fazem contraditoriamente me parecer com ele. Mas creio que não tenho a mesma
coragem dele. Por isso, ficarei apenas sonhando com a sombra embaixo daquela
árvore próxima a sua casa, onde ele gosta de tirar seu cochilo. Continuarei
sonhando com um canto em sua modesta mesa de jantar e com um lugar ao seu lado
na cama.
Vou remoer
este sonho já batido, para ter o gosto de quem sabe um dia ter espaço em seu
coração, dia e noite. Repartir nossas vidas...
Ficarei
aqui, observando de longe. Alguns o chamariam de distraído para não me notar.
Mas eu o chamaria de sensato. Este é apenas mais um dos motivos pelos quais
nasci para amá-lo...
Joanna Catharina
21/04/13
OBS: Esse texto escrevi especialmente para este quadro que meu pai fez (o da imagem lá em cima). Foi o que imaginei: o amor entre duas pessoas tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais. Uma moça da cidade e um homem do campo. E vocês, o que imaginam ao olhar para a tela do meu pai?